Humor & Crítica

Só postando os quadrinhos em que se baseou a atividade em sala :)

Lembrando que, para a análise (e a subseqüente interpretação), é importante considerar:

- elementos “concretos”, como cenário (paisagem), vestimenta, objetos dispostos, entre outros…

- contexto (momento histórico, lugar)

- fala dos personagens e respectivo interlocutor

Malvados - André Dehmer

MALVADOS - ANDRÉ DAHMER   http://www.malvados.com.br/

Crítica à insensibilidade perante a realidade. O personagem se emociona com uma novela (sofrimento fictício), mas não demonstra empatia com os que vivem no mesmo mundo que o seu. Afinal, reconhecer a existência de violência, desigualdade  e miséria na “vida real” impele à ação, o que não é o provável desejo do personagem, que se permite alienar pela TV.

Tirinha do Iotti

CARLOS HENRIQUE IOTTI - www.radicci.com.br

- Charge publicada no jornal ZERO HORA em 2005, época do escândalo do mensalão.

A charge foi publicada num momento em que se questionava o comportamento do Partido dos Trabalhadores (representado na charge por seu símbolo tradicional, a estrela vermelha), o qual, segundo o autor, não conseguia mais se “identificar” com seu próprio passado - por isso o uso dúbio da palavra “identidade”. A identidade de papel (R.G.) é um elemento figurativo para a identidade enquanto partido (ideais, visões de mundo).

Só lembrando:

A personificação, ou prosopopéia, é uma figura de estilo que consiste em atribuir a objetos inanimados ou seres irracionais sentimentos ou ações próprias dos seres humanos.

A flor e a náusea (Drummond)

“A flor e a náusea” é um dos poemas de Carlos de Drummond de Andrade presentes em “A Rosa do Povo”.

Conforme conversado em sala, o poema fica disponibilizado aqui para releituras.

 

“Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias, espreitam-me.

Devo seguir até o enjôo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

 

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.

 

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.

 

Vomitar este tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam pra casa.

Estão menos livres mas levam jornais

e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

 

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.

 

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.

 

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

 

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

 

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”